A OMS recomenda que mal o bebé nasça seja colocado no peito da mãe despido (pele com pele) com uma manta a tapar as costas do bebé e que este momento se prolongue pelo máximo de tempo possível, que idealmente deverão ser horas. Todos os procedimentos a fazer ao bebé após o nascimento podem ser feitos com ele no peito da mãe ou após a primeira mamada, salvo situações de urgência.

As primeiras horas após o parto, são cruciais e sensíveis para a estabilidade cardíaco-respiratória, a manutenção da temperatura e da glicémia do recém nascido e também para o começo de uma amamentação de sucesso. 

Através de vários estudos concluiu-se que os bebés que estão em contacto pele com pele logo após o nascimento, interagem mais com as mães, mantém-se quentes, choram menos e mamam melhor e por mais tempo (Moore, Anderson & Bergman, 2007), parecendo ser um fator crítico para o sucesso futuro da amamentação. 

A sua pele será colonizada pelas bactérias protetoras da mãe e não por outras que poderão ser prejudiciais, conferindo assim também, protecção contra infecções.

Especialmente no inicio, a experiência sensorial da amamentação poderá ser tão importante quanto a quantidade de leite que o bebé recebe, e o contacto pele com pele maximiza todas estas sensações e uma óptima produção de leite.

O contacto pele com pele deve ser feito durante meses e é especialmente importante em casos de dificuldade em fazer a pega, baixa produção de leite, recusa em mamar, relactação e indução da lactação. Faz com que as mães se sintam mais enamoradas pelos seus bebés, menos stressadas e com uma pressão arterial mais baixa. (jonas et al., 2008). As hormonas maternas são ativadas e tudo flui de uma forma mais tranquila, a mãe sente-se melhor consigo mesma, aumentando os seus níveis de auto estima e sentimento de que é capaz, contribuindo assim para o vinculo estabelecido com o bebé.

Esta experiência tão prazerosa, pode e deve também ser feita pelo pai. Quando por algum motivo no momento do parto, o bebé não puder ir para o peito da mãe, deverá ir para o peito do pai. Como o ideal será o contacto pele com pele pelo maior número de horas possível, o pai terá sempre um papel importante e poderá fazer muito contacto em alternância com a mãe.

Traduzindo-se por números, chegou-se à conclusão que um recém nascido de termo que passe mais de 50 minutos após o parto em pele com pele tem 8 vezes mais chance de começar a mamar espontaneamente do que bebés que não estejam em pele com pele. E bebés pré-termo que estejam em pele com pele atingem a estabilidade termo-cardiaca-respiratória até 6 horas mais cedo, comparando com bebés que fiquem na tradicional incubadora.

Foi em 1970 que o Método Canguru (pele com pele), começou a ser realizado numa maternidade em Bogotá, Colômbia, quando não tinham incubadoras suficientes para os bebés prematuros. Puseram-nos no peito das mães e começaram a perceber que os bebés ficavam mais estáveis quando em contacto pele com pele do que nas incubadoras, que ganhavam mais peso e a taxa de mortalidade diminuiu.

O contacto pele com pele deverá ser a norma em todas as maternidades e só em casos justificáveis é que tal não deve ser encorajado. O contacto pele com pele é baseado na evidência científica que o recomenda fortemente, e por isso, vamos todos dar mais importância a um gesto tão simples e que se traduz em tantos ganhos em saúde e desenvolvimento para os nossos bebés!

Fontes:

https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD003519.pub4/full

http://kangaroomothercare.com

https://www.jpeds.com/article/S0022-3476(19)31305-8/abstract?fbclid=IwAR3iK6NNTGjeexHyViG1GIt5b5J4isiUEXq9iD0t6Xx0tEN8pZuaojp_SOw

Gomez Papi A et al. (1998) Kangaroo method in the delivery room for full-term babies

Lawrence, R.A. & Lawrence, R.M. (2010). Breastfeeding: A Guide for the Medical Profession (7th ed.). Elsevier Mosby, Philadelphia

Breastfeeding answers made simple, A Guide for helping mothers, Nancy Mohrbacher

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