Secar o leite com comprimidos infelizmente ainda é uma prática bastante comum.

Os medicamentos devem ser usados de forma racional, diga-se, quando se justifica o seu uso, e observo um uso exagerado destes (e de quase todos!) os medicamentos. 

Na cabergolina, 1 em cada 10 mulheres tem os seguintes efeitos adversos: tonturas, vertigens, cefaleias, dor abdominal, dispepsia, gastrite, náusea, cansaço e fadiga. Na bromocriptina, 1 em cada 100 mulheres tem cefaleias, vertigens, tonturas, congestão nasal, náuseas, obstipação, vómitos, já para não falar em efeitos adversos mais graves mas menos frequentes como vómitos, palpitação, depressão, entre outros.

Cada mãe terá as suas razões para parar de amamentar, mas a maioria se soubesse que em 2 semanas conseguiria parar a produção de leite sem ter que tomar um medicamento que lhe poderá provocar sérios efeitos secundários, provavelmente tomaria isso em consideração. Isto chama-se fazer uma decisão informada!

Já para não falar que a decisão de parar de amamentar deve ser ponderada e feita de forma informada e não tomada numa urgência de hospital com dores e em desespero perante uma mastite ou algum problema de saúde solucionável com tratamento adequado e compatível com a amamentação. 

Esse desespero pode levar as mulheres a tomarem decisões precipitadas e o problema destes medicamentos, principalmente da cabergolina, para além dos seus efeitos adversos,  é que depois de tomada, só será completamente eliminada do organismo ao fim de 16 dias e é praticamente impossível restabelecer a lactação ao fim desse tempo. 

Quantas mulheres depois de tomarem os comprimidos para “secar o leite”, querem voltar a amamentar? È por querer evitar mais esse sofrimento, mais esse sentimento de culpa que algumas mulheres carregam quando me procuram que escrevo este texto!

Por isso, é importante haver mais informação (para as mulheres) e mais formação (para os profissionais) de forma a que estes medicamentos só sejam usados quando há real indicação para o seu uso (morte fetal, morte intra-parto, problemas de saúde onde o beneficio supere claramente o risco) pois é possível fazer um desmame gradual entre 2 a 3 semanas ou menos, de uma forma segura, mais saudável e ponderada.

A decisão de “secar o leite” muitas das vezes é mais uma questão emocional, de desespero, de falta de suporte quando a amamentação não corre bem do que propriamente de saúde. A forma de apoiar estas mulheres, não é “cortar o mal pela raiz” mas sim, dar-lhes suporte para resolver a causa do desejo de acabar com a amamentação.

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